Se realmente há uma dádiva divina com a qual Deus agraciou o homem, essa dádiva é a mentira. Ela, mediadora de todos os sentidos, recebeu, injustamente, a alcunha de filha do Diabo.
Não há por que negar: a mentira reina sobre o homem, subjugando cada visão, cada sentido, para que nela creiam cegamente. E faz isto tão bem, que chegam acreditar que ela é a própria verdade.
A Mãe Natureza, juntamente à sua irmã Mentira, pintou o mundo à sua imagem e semelhança, criando uma aquarela etérea e sombria, celestial e diabólica. O que é a existência, senão produto da própria mentira?
Nada se toca, nada se vê: tudo é registro do passado, produto da mentira. Presente e futuro? Balelas! Não passam de pura abstração. A mentira é o real; ela está ali presente, como raízes de uma grande Major Oak. Sendo assim, é a mentira responsável por todas as sensações. Ode, pois, à mentira!
Ah! que inveja daqueles que, à fé jurada, derramam a sua perfídia sobre a mesa, num banquete esplêndido diante dos deuses, ousando da mentira, que, com suas longas pernas, invade os Elísios, recônditos no vasto pensamento olímpico de cada um ali presente. E não vá se enganar: não há sensação mais efusiva que a de ser ludibriado por uma bela mentira!
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Adoraaaaaay!
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