Poesia para não poetas 1
Andando na rua, eis que tropeço numa pedra:
- Porra de pedra no meio do caminho.
Será que minhas retinas fatigadas jamais esquecerão desse acontecimento em suas vidas?
Balela! Somente o dedão do meu pé se lembrará da topada nesta maldita pedra.
Poesia para não poetas 2
- Toma um fósforo... - a estranha do meu lado oferece com seu cabelo de pantera.
- Obrigado, eu não fumo! - falo com um sorriso simpático, esquivando-me da quimera.
Ela me apedreja com os olhos e então me beija como uma fera:
- Mas que puta!! Vá escarrar na boca da sua mãe, cadela.
Poesia para não poetas 3
Mulheres para escolher, fiquei entre clara e morena:
Casimiro: - A morena é predileta.
Abreu: - Mas a clara é dos céus...
Casimiro: - A morena é a favorita dos homens.
Abreu: - Mas a clara é dos poetas.
Eu: - Perfeito, me ajudaram a decidir. Levarei as duas!
Poesia para não poetas 4
- Meu nome é Raimundo.
Rima estranha se rimar com mundo.
Não sou retirante, nem errante, nem cabeça grande.
O coronel aqui é Manoel, Zacarias foi trapalhão.
- Meu nome é Raimundo.
Não sou pirata e nem cantor.
Lavradores nunca me agradaram...
Sou empresário e construtor.
- Meu nome é Raimundo.
E um dia fui caipira.
Mas por Deus eu renasci.
Depois de uma vida severina.
- Severina, minha esposa.
Rima estranha se rimar com mundo.
Poesia para não poetas 5
Morava no vigésimo andar do prédio e tinha uma vizinha chamada Esperança.
Um dia Esperança, que já apresentava traços de loucura, pulou de sua janela mirando a calçada.
Pois bem, ela não voltou a ser criança e seus olhos verdes foram cobertos pelo sangue.
Seu vizinho concluiu: - Ainda dizem que esperança é a última que morre!
David Coutinho
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muito boas!^^
ResponderExcluirisso é poesia que só pode ser descrita ao modo Nelson Rodrigues:
"a vida como ela é!"