sábado, 25 de setembro de 2010

Apagou o cigarro no cinzeiro sobre a mesa. O ambiente, por si só, é apagado: vermelho carmesim, empesteado daquelas rêmoras que, agregadas à fera, sentem-se saciadas com os restos que a elas chegam. Aqui, porém, a fera era os restos; estes, por sua vez, deixados pelos pequenos peixes, uns aos outros.

Predominava a espera, o ensejo. Era preciso. É verdade que tudo aqui exala um perfume cálido; mas aquelas rêmoras, agora tubarões, não se importam com o perfume. Lúbricos e abastados, como bons senhores que são, esperavam. Ela também esperava, nada abastada, diga-se de passagem; mas lasciva, talvez. Valhe-se o dito popular que diz: "Aquele que só pensa em trabalho, torna-se maçante".

Quando enfim ela é encontrada, torna-se tudo uma verdadeira festa. Lençóis emaranhados, travesseiros jogados, alarias que incluem todo o tipo de palavras daquelas inevitáveis. Claro que, da parte dela, são palavras um pouco aleivosas, mas isso não vem ao caso. Estão lá a mulher com espírito de tartufo - ou o tubarão de antes - e a rêmora. A rêmora devora a fera. Mas, se acabou-se o tempo, já lá se vai o gozo.

Apagou o cigarro no cinzeiro sobre a mesa e espera o próximo. Talvez, por displicência, uma mera negligência destas jogadas a esmo, não percebem estes senhores que eles próprios são as putas. E está para nascer, quem sabe por outra negligência, o legítimo, o puro, o filho da puta.

Um comentário:

  1. "Talvez, por displicência, uma mera negligência destas jogadas a esmo, não percebem estes senhores que eles próprios são as putas."

    orgulho do meu amigo pedro, meu amigo cult pedro! rs
    saudade rapaz, forte abraço!

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